AS REFORMAS
Ao longo do tempo, coincidindo estrategicamente com as trocas nas administrações municipais, a Praça da República foi submetida a duas marcantes reformas nos anos de 1938 e 1967, culminando na descaracterização do projeto inicial de 1913.
A primeira reforma aconteceu em 1938. Assim, com a saída de Antônio Soares de Barros, assumiu como prefeito Emílio Martins Bührer. Em seu mandato
e até a década de 1960 a praça recebeu uma completa remodelação em praticamente todos os aspectos, contando com uma arquitetura paisagística geométrica e praticamente simétrica, exceto pelos dois círculos desalinhados e seus respectivos passeios na orientação Norte e Sul. Portanto, ocorreu a troca dos postes de luz e dos bancos; a iluminação passou a ser subterrânea; a Casa de Luz e Força e parte da Casa de Bombas D'Água foram demolidas; inicialmente apenas dois passeios receberam pavimentação e depois os demais; novos caminhos foram criados (manteve-se apenas o central); e o paisagismo de 1913 foi totalmente descartado, criando um conceito aberto com abundância de topiarias. Além disso, construiu-se escadas, a pracinha infantil, os banheiros públicos e um quiosque de madeira.
A segundo grande requalificação iniciou com o prefeito Solon Gonçalves em 1967, porém, foi concluída apenas em 2000, sendo que também contou com mudanças após esse período. A proposta foi idealizada pelo arquiteto ijuiense Clóvis Ilgenfritz da Silva, bem como pela arquiteta Inês D’Ávila (SILVA, 2003). O projeto para a praça era geométrico, assim como os de 1913 e 1938, entretanto, completamente assimétrico, uma vez que os caminhos foram alterados permanecendo apenas o central e metade de outro na orientação Norte-Sul. Dessa forma, realizaram-se: o centro cívico; o anfiteatro; uma nova pracinha infantil; o atual módulo da Brigada Militar; os novos banheiros públicos; o quiosque; o restaurante (comporta hoje a União das Associações de Bairros de Ijuí, a Associação dos Aposentados e Pensionistas de Ijuí e a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo); os dois pontos de táxis; a Associação dos Artesãos de Ijuí; as demolições da Casa de Bombas D'Água e dos antigos banheiros; as criações de escadas e rampa; as trocas de postes de luz; e as adições de bancos. Após 2007 outras modificações ocorreram, tal como, as construções da academia ao ar livre, de novas rampas e da cascata, além de trocas de pavimentação, iluminação e bancos.
Infelizmente, com tamanhas descaracterizações geradas pelas reformas, a Praça da República praticamente não apresenta mais elementos de sua primeira arquitetura paisagística de 1913, pois o projeto arquitetônico, o paisagismo, o mobiliário, a pavimentação e as edificações de hoje são completamente diferentes dos da época, salvo disso, a quadra que ocupa e os passeios delimitadores dela na orientação Norte, Sul e Leste que se acredita serem os mesmos. Por isso a importância de preservá-la, para que novas requalificações não a transformem ainda mais e, sim, que passem a incorporar pequenos elementos representantes da arquitetura paisagística ou dos mobiliários que possuiu na proposta original de 1913, a fim de rememorar algumas características perdidas.
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A reforma de 1938 estava em seu início, uma vez que as árvores ainda não tinham sido totalmente cortadas e a topografia da praça estava sendo preparada para os novos caminhos e canteiros. A foto está voltada para a Rua Benjamin Constant. Fonte: (MADP, [1938]).

As alterações da reforma de 1938 são notórios quando comparados ao projeto de 1913, uma vez que não apresenta a mesma disposição de canteiros e passeios. Vista Sul-Noroeste, estando ao fundo a Rua Praça da República e à esquerda a Rua Benjamin Constant. Fonte: (MADP, [194-] apud BAGÉ, 2016b).

Inicialmente apenas os passeios das extremidades, o central, e um no sentido Norte-Sul foram pavimentados, enquanto os outros foram sendo realizados até o final da década de 1960. Vista Sudeste-Noroeste, estando à direita a Rua Praça da República e ao fundo a Rua 15 de Novembro. Fonte: (MADP, 1940a).

Outros caminhos laterais foram pavimentados, ainda, nota-se a única rampa executada na época, disposta na fachada Sul. Logo, em frente a foto posiciona-se a Rua Praça da República e ao fundo a Rua Benjamin Constant. Fonte: (MADP, [194-] apud BAGÉ, 2016b).

Um canteiro central foi realizado junto ao monumento já existente da década de 1910 ou 1920. Junto as edificações está a Rua Benjamin Constant. Fonte: (MADP, [194-] apud BAGÉ, 2016b).

O paisagismo era baixo, apenas com emprego de arbustos (topiarias), hortênsias e forrações, além disso, na foto ficam evidentes alguns cactos, sendo uma espécie incomum para locais públicos. Fonte: (MADP, [194-] apud ROTTHUES, 2016a).

Vista na Orientação Leste-Oeste, onde se observa a amplo utilização de topiarias. Ainda, é possível observar as ruas 15 de Novembro em primeiro plano, a Praça da República à direita e a Benjamin Constant ao fundo. Fonte: (MADP, 1940b).

A topografia da praça era mais alta em relação ao passeio, por isso a implantação de escadas nas extremidades dela. Destaca-se na foto a Rua Benjamin Constant e, junto as edificações, a Rua Praça da República. Fonte: (BAGÉ, 2016b).

Um pequeno quiosque de madeira em formato hexagonal foi erigido próximo ao monumento central, na orientação Sul. Fonte: (MADP, [195-]).

Acredita-se que o prédio dos banheiros, ao Sul, tenha sido construído entre 1955 e os primeiros anos de 1960. Nesta foto estava nevando na praça e se observa em primeiro plano a Rua Benjamin Constant, enquanto à direita está a Rua Praça da República. Fonte: Adaptação e recorte de Rotthues (2016b).

A criação da pracinha infantil na área Norte transcorreu no mandato do prefeito Ruben Kessler da Silva. Em primeiro plano e ao fundo estão as ruas Praça da República, enquanto que à esquerda está a Rua 15 de Novembro e à direita a Rua Benjamin Constant. Fonte: Adaptação de Degelmann (2015).

Até 1967 a praça apresentou essa disposição formal. Logo, os caminhos ainda eram simétricos e as árvores estavam com porte grande, visto que a fachada Oeste (em primeiro plano) apresentava um paisagismo baixo em relação ao restante da praça. Visualiza-se em primeiro plano a Rua Benjamin Constant, na direita e na esquerda as Ruas Praça da República e no fundo a Rua 15 de Novembro. Fonte: (BAGÉ, 2017).

Na reforma que iniciou em 1967, os passeios na metade Norte da praça foram bastante modificados, isso em virtude da implantação do centro cívico, do anfiteatro e da nova pracinha infantil. Na década de 1970 a metade Sul foi alvo de transformações. Ainda, é possível averiguar na extremidade da foto, a Rua Benjamin Constant. Fonte: (BOGER, 2016).

Em 1968 a fachada Norte, junto a Rua Praça da República, passa a comportar o anfiteatro onde antes continha a pracinha infantil. Fonte: (MADP, 1972 apud ROTTHUES, 2016c).

Reformas ocorrendo no lado Sul da praça. Na extremidade da foto, nota-se a Rua Benjamin Constant. Fonte: (ROTTHUES, 2016d).

No primeiro momento o paisagismo pertencente a proposta anterior permaneceu na metade Sul, somente no início da década de 1970 as árvores foram cortadas e os canteiros refeitos com abundância de gramíneas, espécies floríferas e sem aplicação de topiarias. Na metade Norte, poucas árvores permaneceram e palmeiras foram plantadas em frente ao centro cívico. Destaca-se na foto a Rua Benjamin Constant e, junto as edificações, a Rua Praça da República. Fonte: (MADP, 1972).

No final da década de 1970 as obras na metade Sul-Oeste estavam concluídas, inclusive com os quiosques e banheiros implantados. Na extremidade da foto localiza-se a Rua Benjamin Constant e adjacente aos imóveis, a Rua Praça da República. Fonte: (BAGÉ, 2016a).

Nesta foto do final da década de 1970, percebe-se que estavam implantados a área cívica (1), o anfiteatro (2), o restaurante (3), o quiosque (4) e os banheiros públicos (5). Em primeiro plano e ao fundo estão as ruas Praça da República, enquanto que à esquerda está a Rua Benjamin Constant e à direita a Rua 15 de Novembro. Fonte: (MADP, [1979]).

Em 1977 um quiosque com revistaria (esquerda), bem como um restaurante (direita) passaram a fazer parte da praça na área Sul. Hoje, o antigo prédio do restaurante comporta a União das Associações de Bairros de Ijuí, a Associação dos Aposentados e Pensionistas de Ijuí e a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo. Fonte: (MADP, [198-]).

A nova pracinha erigida em 1967 permanece na orientação Nordeste até hoje, esquina entre as ruas 15 de Novembro e Praça da República. Fonte: Autora (2017).

Construiu-se em 1974 os banheiros públicos no subterrâneo, entretanto, o primeiro pavimento foi edificado apenas entre 1997 e 2000, abrigando a Associação dos Artesãos de Ijuí. O prédio foi erigido junto a Rua Praça da República. Fonte: Autora (2017).

Os dois pontos de táxis passam a fazer parte da área Leste da praça entre 1981 e 1883, em frente a Rua 15 de Novembro. Fonte: Autora (2017).

A construção de rampas para garantir acessibilidade foi um dos objetivos da reforma de 2007, além da troca de pavimentação por blocos intertravados de concreto regular. Fonte: Autora (2017).

A cascata na área central passou a ser o novo ponto atrativo e contemplativo da praça a partir de 2007. Fonte: Autora (2017).

A academia ao ar livre foi implantada em 2010, na extremidade Sudeste, Rua Praça da República, atrás dos dois pontos de táxis. Fonte: Autora (2017).

Atualmente o paisagismo demonstra predomínio de espécies arbóreas em toda a praça, exceto na área cívica. Também são notórias algumas palmeiras, bambus, arbustos e trepadeira (cascata). Nos canteiros existem espécies herbáceas, em sua maioria floríferas anuais e gramíneas. Fonte: Autora (2017).

A praça central dispõe atualmente de: palanque de pronunciamentos (1); Associação dos Aposentados e Pensionistas de Ijuí, União das Associações de Bairros de Ijuí e Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo (2); anfiteatro (3); banheiros e Associação dos Artesãos de Ijuí (4); Quiosque (5); academia ao ar livre (6); pracinha infantil (7); dois pontos de taxis (8-9); e módulo da Brigada Militar (10). Fonte: Adaptação de LF Filmagens Aéreas (2016).
REFERÊNCIAS
BAGÉ, L. C. Á. Grupo Ijuhy de Atigamente. Formato: JPG. Blumenau: Luis Carlos Ávila Bagé. [1 fev. 2016a]. Disponível em: <https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10204573188444287&set=p.10204573188444287&type=3&theater>.
BAGÉ, L. C. Á. História de Ijuhy de Antigamente. Blumenau, 2016b. 3 DVDs-ROM/ Ebooks.
BAGÉ, L. C. Á. Memória Virtual. Blumenau, 2017. 5 DVDs-ROM/ Ebooks.
BOGER, V. In: Luis Carlos Ávila Bagé. Blog Ijuí Sua História e Sua Gente. Formato: JPG. [20 jan. 2016]. Disponível em: <https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1334772629882331&set=g.746997075379725&type=1&theater>.
DEGELMANN, V. In: Luis Carlos Ávila Bagé. Blog Ijuí Sua História e Sua Gente. Formato: JPG. [22 ago. 2015]. Disponível em: <https://www.facebook.com/photo.php?fbid=917082945025400&set=g.746997075379725&type=1&theater>.
IJUÍ (cidade). Secretaria de planejamento e regulamentação urbana: reforma de 2007. Ijuí, 2007. 1 CD-ROM.
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MADP. Acervo fotográfico do Museu Antropológico Diretor Pestana: ficha de classificação. Número de tombo: AI 00093. Número de classificação: 0.2 0069. Formato: JPG. [1979].
MADP. Acervo fotográfico do Museu Antropológico Diretor Pestana: ficha de classificação. Número de tombo: AI 00077. Número de classificação: 0.2 0053. Formato: JPG. 1972.
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MADP. Acervo fotográfico do Museu Antropológico Diretor Pestana: ficha de classificação. Número de tombo: CB 00060. Número de classificação: 0.2 0051. Formato: JPG. 1940a.
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MADP. Acervo fotográfico do Museu Antropológico Diretor Pestana: ficha de classificação. Número de tombo: CJ 02002. Número de classificação: 0.2 0128. Formato: JPG. [195-].
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SILVA, M. A. Fragmentos: vestígios que contam histórias: Ijuhy (1890-1942). 2003. Dissertação (Mestrado em Artes Visuais) – Universidade Federal de Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, 2003.